“Mas moço, tu não sabes o que eu vivi, não sabes quantas pessoas eu vi partir, pra achares que pode me julgar por hoje em dia eu ignorar quem com muita facilidade diz me amar.”
“- E o amor?
- Que amor?
- Ai dentro.
- Onde?
- No teu coração.
- Que coração?
(Silêncio)”
“Porque você não sabe, mas tenho corrido maratonas e vencido monstros gigantescos para conseguir sentir tudo isso sem arrancar minha cabeça fora.”
“Enfim segui em frente. Enfim consegui parar de pensar no passado. Enfim esqueci. Digamos que eu superei sua perda. Não dói como antes, não mais. Não te preciso, não mais. Não sinto necessidade de seu beijo, não mais. Mentiria totalmente se disesse que o esquecido por completo, as vezes sou pega por mim mesma pensando em nós. Mas a diferença do agora é que eu não preciso de você. Eu me acostumei com sua ausência, me conformei com a falta de seus abraços, e acho que isso foi o melhor a fazer. Afinal, é como dizem, quem muito se ausênta uma hora para de fazer falta. E foi exatamente o que aconteceu. Já que a saudade não tem o poder de te trazer de volta, deixo-te no passado junto com todos as lembranças e com tudo que eu sentia por você. Deixo o nosso “nós” no passado. Agora sou só eu e você.”
“Eu nunca irei pedir desculpa por não dizer o que teus ouvidos querem escutar, tampouco moverei os pés ao teu lado se não for de minha vontade. Eu não sei ser ninguém, vezenquando perco quem sou - pra mim mesma, e vou titubeando entre buzinas, agonizações diárias, risadas e sirenes -, não é fácil ser você o tempo todo, porque as pessoas estão acostumadas com o fingimento barato e isso não dá o direito de alguém apontar o dedo na tua cara, te fazer ser plateia, e bater palmas pra um elenco de atores pondo em cena a hipocrisia e podridão. Eu nunca irei ser um pau-mandado, e isso incomoda quem está de fora, causa raiva e inveja porque vergonha na cara não ficou pra todo mundo, isso custa feridas nos joelhos e calcanhares calejados. Se rebelar e dizer “não”, é motivo de olhares de lado, entortar de bocas, tapas e cuspidas na cara, mas eu gosto do contra, do que me agrada, seja bom gosto ou não. Eu não preciso de anestésico pra não sentir dor, eu gosto de doer mesmo, de sangrar todo dia e ser o que tiver, na hora que der. Não preciso cobrir o rosto pra disfarçar ao encarar os olhos alheios, bato de frente e sempre gostei de sair por onde entrei, nunca pela tangente. Escancarar o peito, perder a voz de tanto gritar se preciso, mas nunca me calar por causa de alguém. Não desvio ou entorto o caminho, não mudo de calçada por causa das afetações insinceras, e julgamentos de quem não sabe o que diz. “O quê importa a saia de um palmo daquela e calça da outra? Do que vale carregar a Bíblia debaixo do braço e viver pregando ódio, manchando inverdades, e vestindo-se com o pano da difamação?” Vão ter que engolir, vomitar e engolir o vômito de novo.”
“Quer ir embora? Tudo bem, vá. Quer ficar com ela? Certo, pode ficar. Eu não vou segurar você. Só não venha me pedir perdão quando ver a burrada que você tá fazendo. Acorda, ela nunca vai te dá os carinhos que eu te dei, os beijos dela não são como os meus. O meu abraço é mais apertado e tem mais sentimentos que o dela. Ela não vai cuidar de você como eu cuidei. E ela jamais vai te amar como eu te amo. E você, você nunca vai ser dela totalmente. Sabe por quê? Porque nós somos um do outro. Eu te pertenço e você me pertence. Nós somos nós. Não seja burro, não troque a vida inteira por uma noite. Eu amo você, e você ama a mim. Eu sei que no final, você vai se arrepender e me pedir perdão, mas não se iluda tanto. Enquanto você perde o seu tempo com uma pessoa que só te quer por um dia, eu vou me acostumando com sua ausência. E talvez, quando você voltar a me procurar, eu não precise mais de você.”